Como diz o ditado popular, “conserte o telhado enquanto o sol está a brilhar”. Aproximam-se nuvens negras e este é o momento para atuar.

“Sombria” é como o Fórum Económico Mundial caracteriza a competitividade global em 2019.
Para os analistas do FEM/WEF, o mundo encontra-se num verdadeiro ponto de inflexão tanto a nível social, como ambiental e económico. O fraco crescimento da economia, a par do aumento das desigualdades e da aceleração das alterações climáticas oferecem o contexto ideal para reações negativas contra o capitalismo, a globalização, a tecnologia e as elites (veja-se as tensões registadas nas últimas semanas nos mais variados quadrantes do globo). Por outro lado, assistimos igualmente ao impasse no sistema de governança internacional, com tensões crescentes ao nível geopolítico e do comércio, o que contribui para alimentar ainda mais o clima de incerteza – interrupções nas cadeias de abastecimentos globais, picos repentinos de preços ou interrupções na disponibilidade dos principais recursos.

Apesar da injeção massiva de liquidez – os quatro maiores bancos centrais do mundo (Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Japão) injetaram 10 triliões de dólares entre 2008 e 2017 – o crescimento da produtividade continuou a apresentar níveis de estagnação ao longo da última década. Segundo os analistas do FEM, esta injeção massiva de dinheiro pode até ter contribuído para desviar mais capital para o mercado financeiro do que para investimentos para aumentar a produtividade. Os bancos estiveram menos interessados em fazer empréstimos às empresas, favorecendo, ao invés, negócios não constrangidos pelo crédito e dando prioridade às atividades comerciais.

Falta uma visão integrada para uma economia de crescimento, inclusiva e ambientalmente sustentável.

Há exceções, e algumas delas na Europa: Suécia, Dinamarca e Finlândia não se encontram apenas entre as economias mais tecnologicamente avançadas, inovadoras e dinâmicas do mundo, como estão igualmente a fornecer melhores condições de vida aos seus cidadãos, bem como melhores proteções sociais, sendo mais coesas e mais sustentáveis do que outros países com níveis similares de competitividade.

Portugal mantém a mesma posição de 2018 (28ª) no raking da competitividade. Pode consultar mais detalhes no artigo publicado pela Helena Oliveira na VER e no próprio site do WEF.

O recém-publicado estudo sobre o Crescimento da Economia Portuguesa pela Universidade do Minho para a Missão Crescimento, apresentado no congresso da CIP 2019, aponta 4 causas principais para o anémico crescimento da nossa economia: qualidade das instituições e governança (regulação dos mercados e controlo da corrupção), progresso tecnológico (baixa percentagem de exportações de alta tecnologia e rácios de técnicos em I&D inferiores à mediana europeia), investimento (a taxa de investimento atingiu mínimos com a crise financeira internacional e a recuperação tem sido lenta, mantendo-se ainda abaixo dos valores médios na EU) e educação/formação (na educação estamos ao nível da Turquia e do México, e ainda muito longe das médias europeias; quanto à formação, estimam-se em 700 mil o número de trabalhadores portuguese com necessidades de requalificação). Tudo isto representa um desafio grande, grave e urgente.

A necessidade de aumentar o salário mínimo nacional (e o médio também), para melhorarmos a convergência social é mais ou menos consensual. As divergências surgem no montante e no momento da sua aplicação, com os empresários a defenderem que seja feita após serem atingidos ganhos de produtividade. O que não se apresenta tarefa fácil, como se pode ver no estudo da Universidade Nova, apresentado no referido congresso.

Fonte: https://bit.ly/2NAB68U

Podemos e devemos certamente apontar responsabilidades ao Estado e aos políticos. Mas a classe empresarial e os gestores também têm de fazer a sua parte, nomeadamente em matérias como o investimento e a requalificação profissional.

Existem formas de encontrar bolsas de poupanças nas empresas, que estão muitas vezes escondidas e/ou adormecidas, para financiar temas como a digitalização ou a formação profissional, por exemplo. Procurar assessoria externa pode ajudar a resolver o impasse e identificar um caminho a seguir.

A Expense Reduction Analysts é especialista em Gestão de Custos e Serviços Profissionais de Procurement, ajudando as organizações a extrair valor acrescentado dos seus fornecedores em várias áreas de gastos gerais, com o objetivo de melhorar o serviço enquanto se reduzem os custos.

Fico espantado quando, ao confrontar alguns empresários e gestores, me dizem que agora não têm tempo, não é o momento ou que não é a prioridade da empresa… Basta de procrastinação!

Sobre o autor: João Costa, coordena uma equipa de consultores de alto nível, especializada na gestão de projetos de redução de custos e análise de uma ampla variedade de categorias de custos. Tem uma experiência de mais de 30 anos em gestão global (dos quais 10 anos como CEO/DG), turnarounds, liderança de equipas de marketing, franchising e vendas, principalmente em Produtos de Grande Consumo, em diversas geografias. É especialista em desenvolvimento organizacional e eficiência de empresas com diferentes perfis (multinacionais e empresas familiares).

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