Disruptivo. Esta é, a nível global, uma das palavras mais utilizadas para caracterizar o presente ano e os desafios trazidos pela pandemia que teima em não nos deixar e até, neste momento, em recrudescer.

Disrupção significa rasgar, romper e, no limite, destruir. A palavra que, em minha opinião, de facto, melhor caracteriza este ano de 2020. Um ano que ficará na história por nos ter trazido, de rompante, a todos os setores, mas sobretudo à logística, novas realidades como nenhum outro antes, as quais nunca sequer ousámos imaginar.

Mas os anos predecessores tinham-nos trazido o essencial: as ferramentas para lidarmos da melhor forma com esses novos desafios que se nos deparam por via da pandemia. Falo, obviamente, da tecnologia.

Essas soluções estavam disponíveis. Mas será que a generalidade das empresas tinha percebido a sua importância e as tinha adotado? Quanto à perceção da sua importância, podemos afirmar que sim. Já em relação à sua adoção, muitas foram adiando esse processo de digitalização.

Poderão pensar que me refiro ao óbvio. Todavia, diz-me a experiência, feita de visitas a centenas de empresas em Portugal, que esta camada tecnológica, que poderão considerar óbvia, afinal, não é assim tão omnipresente nas empresas do mundo real, sejam elas operadores logísticos, empresas das áreas industrial, de serviços, setor primário, distribuição ou outras.

Se é verdade que muitas organizações cedo adotaram soluções tecnológicas de suporte à sua atividade, muitas outras, mesmo com dimensão considerável, permanecem à margem desse processo.

Num par de semanas a pandemia fez mais pela digitalização das organizações do que anos a fio de conferências, projetos-piloto e outras incursões pouco consideradas por alguns gestores e empresários. Aqueles que, neste momento, como diz a expressão popular, “correm atrás do prejuízo”.

Postos perante a realidade nua e crua trazida pela pandemia, foram acelerados processos de digitalização nas empresas. Não apenas passar a usar uma solução tecnológica para a produção, administrativo ou para a logística, mas, de forma integrada, digitalizar a organização.

O que dantes parecia irreal ou de uma realidade distante, a médio-longo prazo, tornou-se banal. Das simples reuniões com colegas, clientes e fornecedores, através das plataformas online, a áreas que antes não se imaginaria que pudessem ser controladas à distância, como operações, gerir equipas, negociar com fornecedores e manter níveis de serviço a clientes.

O real e presencial dá lugar ao virtual com uma eficácia e eficiência que a todos surpreendeu. As empresas ficaram mais produtivas, as reuniões começam à hora marcada e terminam à hora combinada. Ganha-se nas deslocações, tempo, viagens, nas horas dormidas, reduzem-se custos e, em última análise, poupa-se o ambiente.

A pandemia trouxe novos comportamentos, já muito debatidos, que se instalaram e vieram para ficar.

A logística, mais do que qualquer outra área de negócio, vive momentos de transformação e de disrupção. O aumento de compras online disparou e os armazéns e toda a cadeia logística, tiveram de se adaptar e reinventar face às novas exigências, tendo como base fundamental de apoio a tecnologia.

Independentemente do grau de digitalização de cada empresa, sobreviverão, como defendia Charles Darwin, os que melhor se adaptarem às novas condições; à nova realidade ou normalidade, se preferirmos.

Num futuro muito próximo, drasticamente acelerado pela pandemia, e tome-se como exemplo a Amazon, os armazéns vão ser cada vez mais robotizados e irão utilizar inteligência artificial. Camiões autónomos e a utilização de drones em entregas ou no picking não são futuro, são o presente.

Se é uma realidade a breve trecho e para todas as empresas? Creio que não. Todavia, aquelas que tiverem os processos mais digitalizados e integrados partem para o futuro (que é agora!) mais bem preparadas e em vantagem. Também mais capazes de desafiar os grandes players globais.

Como defendo há muito, e em todas as organizações com as quais contacto, as empresas precisam de ser disruptivas, manter-se atualizadas, serem rápidas e organizadas, caminhar no mesmo sentido do mercado, responder às exigência do consumidor, estar um passo à frente do momento presente e serem ávidas do conhecimento.

Usando a célebre expressão de Steve Jobs, agora aplicada às empresas, “stay hungry stay foolish”.

 

 

Sobre a autora: Sara Monte e Freitas, em 20 anos de carreira, esteve uma década ligada ao marketing e os últimos 10 anos foram passados na logística, área onde teve funções de gestão e liderança e pela qual se apaixonou.

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